Semar firma parceria inédita para libertação de animais do Zoobotânico

Atualizado: há 6 dias

O protocolo tem como objetivo a transferência colaborativa e escalonada dos animais exóticos e os da fauna brasileira, atualmente confinados no Zoobotânico de Teresina.

Felino exótico confinado no Zoobotânico de Teresina. (Foto: Ilanna Serena)

Em ação inédita no país, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semar) firmou parceria com a Confederação Brasileira de Proteção Animal e prepara protocolo de esvaziamento e libertação dos animais do parque Zoobotânico, situado em Teresina. A medida é pioneira, uma vez que em nenhum lugar do país foi elaborado um documento que trace e regulamente os aspectos técnicos de segurança e bem-estar físico e psicológico de transporte e transferência de animais cativos em zoológicos para santuários ecológicos.


O protocolo tem como objetivo a transferência colaborativa e escalonada de animais exóticos que atualmente vivem no Zoobotânico para santuários e habitats naturais em outros lugares no Brasil e onde esses animais possam viver livremente.


Além da Confederação Brasileira de Proteção Animal, a outra instituição parceira do programa é a Força Aérea Brasileira (FAB), que irá colaborar com o transporte dos animais aos seus destinos definitivos de liberdade e convívio com a natureza.


“Entendemos que a associação de lazer e diversão com animais em recintos fechados está totalmente ultrapassada. O que a Semar busca com essa ação está em sintonia com as melhores práticas mundiais de bem-estar animal e conservação ambiental”, destaca a secretária do Meio Ambiente, Sádia Castro.


A Confederação está fazendo o levantamento dos santuários aptos a receberem esses animais. O corpo técnico da Semar está providenciando a regularização das espécies junto ao Sistema Nacional de Fauna Silvestre (Sisfauna) e elaborando as instruções normativas do protocolo de transferência.


Segundo a presidente da Confederação, Carol Mourão, esta inciativa é considerada precursora mesmo em âmbito internacional. “Acredito que esse protocolo subsidiará diversas outras ações com o mesmo objetivo. Por essa razão, a Confederação tem muito interesse em contribuir com o processo. Somos totalmente favoráveis ao desenvolvimento dessa parceria que irá viabilizar a operacionalização das transferências”, afirmou.


A ação foi inspirada na experiência exitosa e pioneira realizada entre o Estado do Piauí e a Confederação que conseguiu a transferência da ursa Marsha, posteriormente renomeada Rowena, para o santuário Rancho dos Gnomos, em Joanópolis (SP). A ursa foi transportada em um avião da Força Aérea Brasileira, fato que mereceu reconhecimento internacional.


A Semar está organizando e escalonando os grupos e espécies que serão transferidos paulatinamente durante o programa. Para dar início à operação, foram selecionados espécimes da família dos macacos barrigudos , espécie ameaçada de extinção, formada por cinco membros, entre os quais um filhote recém-nascido no próprio parque. Há, ainda, dois felinos de grande porte, a leoa Mimi e uma onça pintada.


De acordo com Sádia Castro, o objetivo é transferir todos os animais, sendo que os exóticos irão para santuários e os nativos reinseridos nas áreas de soltura certificadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).


A ação está inserida no programa Bicho Solto, em execução pela Semar desde o início de 2021, que tem como objetivo reinserir animais silvestres e exóticos ao seu habitat natural. A primeira fase da campanha, voltada a animais silvestres, reinseriu 71 aves, entre ararinhas, jandaias, papagaios e periquitos. Na segunda fase, a ser realizada em 28 de julho, será a vez dos primatas. Depois, ocorrerá a reinserção dos felinos e, por último, dos répteis.


O protesto


Alunos e professores do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal do Piauí (UFPI) protestaram, neste sábado (17), contra a transferência de animais do Zoobotânico de Teresina. Dando uma demonstração inequívoca de falta de noção, ignorando os preceitos éticos de 'bem-estar animal', tais manifestantes fizeram a apologia da exploração animal usando o bestial argumento de que este local faz reprodução assistida de espécies ameaçadas de extinção. Mas o que eles se esquecem, ou não sabem, é que os zoológicos, de modo geral, são centros de confinamento, dor e sofrimento, que exploram os inocentes animais para fins de entretenimento, com vil propósito de atender aos interesses sádicos dos seres humanos. Prática remanescente da Idade das Trevas, condenável, do ponto vista ético e moral.


Desprovidos de consciência ambiental, manifestantes se expõem ao ridículo fazendo apologia da exploração de animais no Zoobotânico de Teresina. (Imagem: TV Clube)

Lugar de animal silvestre é na natureza. É importante salientar, todavia, que os animais submetidos a estas prisões, após poucas gerações perdem o seu comportamento natural e se tornam inaptos para a sobrevivência em seu habitat selvagem. Portanto, a soltura de qualquer animal que tenha vivenciado este tipo de cárcere consiste em um ato de grande responsabilidade, pois é preciso que se faça avaliação minuciosa da situação de cada bicho, considerando as condições do ambiente que vai recebê-los.


Entrevista com a professora Sônia Teresinha Felipe


Para entender melhor o que acontece com os animais confinados em zoológicos, leia a entrevista da doutora em filosofia moral e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Sônia Teresinha Felipe, concedida ao Portal Terra/Ciência.


Até que ponto os zoos realmente ajudam os animais?


Sônia T. Felipe – Os zoos são centros de confinamento completo de animais. Só por essa sua característica podemos ver que não ajudam em nada os animais ali confinados. Não há animal que possa estar bem a seu próprio modo enclausurado num espaço artificialmente construído por humanos para detê-lo lá.


Eles realmente auxiliam na reprodução e preservação de espécies raras?


Sônia T. Felipe – O que os zoos fazem é procurar a reprodução biológica de espécies ameaçadas de extinção. Mas, quando falamos em preservar espécies não pensamos que uma espécie seja constituída apenas por sua bagagem genética. Cada espécie animal precisa de um espírito específico, que permita a preservação daquele tipo de vida de forma autônoma. Isso os zoos não podem fazer. No máximo, o que eles preservam, é o banco genético.


Ao serem mantidos no cativeiro por tempo muito longo, refiro-me aos indivíduos da primeira geração posta em confinamento, os animais apagam pouco a pouco a memória que constituía seu 'espírito' específico. Se duas ou três gerações são mantidas nesse cativeiro, não resta conhecimento algum que permita aos jovens nascidos em confinamento saber interagir no espaço natural e social que seria próprio de sua espécie de vida.


Guardamos, assim, o patrimônio genético, que é matéria biológica. Matamos o patrimônio genuinamente 'animal' dessas espécies. Temos apenas 'organismos' destituídos de 'mente' específica. Por esse motivo, reproduzir animais em zoos não garante que sua espécie de vida seja preservada. Insisto: manter um corpo funcionando não é tudo quando se trata da riqueza 'espiritual' que cada espécie viva representa.


Quais são as consequências para o animal aprisionado em um ambiente que não se assemelha ao seu habitat natural?


Sônia T. Felipe - Se for mantido para o resto de sua vida nesse cativeiro, perderá sua 'alma'. Se for solto depois de algum tempo num ambiente estranho, terá de refazer seu aprendizado para poder sobreviver. Se seus descendentes não tiverem a oportunidade de aprender com ele/ela a sobreviver com os recursos naturais e sociais próprios de sua espécie, de nada adiantará ter preservado apenas sua bagagem genética.


Ao contrário do que costuma ser afirmado ainda por muita gente, a mente dos animais, analogamente à nossa, se constitui na liberdade física que o animal exerce de mover-se para autoprover-se num ambiente onde os limites desse movimento não são impostos seguindo um padrão que interessa aos propósitos humanos. A inteligência dos animais confinados se esvai assim que eles não podem mais usá-la para se autoproverem e proverem os seus.


O debate sobre a questão ética envolvendo zoos está crescendo no Brasil?


Sônia T. Felipe - Acho sinceramente que sequer começou a ser feito com rigor. Os zoos são uma invenção dos invasores, especialmente os europeus, que sequestravam os animais das regiões onde impunham seu domínio tirânico para expô-los ao olhar dos curiosos nos grandes centros urbanos europeus. Hoje, esse costume está completamente superado, tanto do ponto de vista científico, quanto ético. Nada aprendemos sobre a natureza de um animal quando o vemos por detrás de grades de ferro, isolado, infeliz e distante do ambiente que seria próprio ao seu caráter.


Com o avanço tecnológico e com o aprimoramento ético dos cientistas que estudam os animais, já não faz sentido algum tirar o animal de seu ambiente, colocá-lo em uma jaula e ficar observando seus gestos e atos. Nada disso faz sentido quando queremos saber algo da mente de um animal. Os melhores estudos animais são feitos in loco. Os maiores etólogos convivem por duas ou três décadas com os animais no ambiente natural e social deles, não nos ambientes humanos. Tudo o que se escreveu até hoje sobre os animais, com observação deles em jaulas, gaiolas e cercados não diz nada do que se passa na mente deles, diz-nos apenas o que se passa na mente bronca dos humanos que assim procedem.


Os zoos só fariam sentido, hoje, se transformados em hospitais de custódia para animais feridos ou ameaçados, que poderiam ser protegidos por tempo determinado, até que pudessem ser devolvidos ao seu ambiente natural. Mas, nesse caso, nenhum zoo deveria ser aberto à visitação pública, do mesmo modo que hospitais e unidades de tratamento intensivo humanos não são centros de exposição ou visitação públicas. Se temos curiosidade para saber como uma determinada espécie animal se move na natureza, melhor ver os filmes feitos por cientistas que abandonaram a vida nas cidades para se dedicarem integralmente ao estudo da vida animal.


Filmes são hoje um substitutivo mais que eficiente para os zoos. É tempo de criarmos 'zoos virtuais', usando as filmagens feitas por milhares de cientistas e cinegrafistas ao redor do planeta. Com essas filmagens podemos ver cada espécie, do modo como copula ao modo como nasce e morre, passando por todos os eventos que constituem sua vida propriamente dita.

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Com informações da SEMAR