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Ração adequada e outras dicas para evitar obesidade dos pets

Atualizado: Jul 22

Excesso de peso pode trazer problemas graves como doenças de pele, ortopédicas, câncer, inflamação crônica e alterações metabólicas.

A cadela Zara perdeu 16 quilos e agora pratica exercícios todos os dias. (Foto: Omar Freitas / Agência RBS)

Cães acima do peso podem até parecer fofinhos para muita gente, mas para manter a saúde e aumentar a longevidade, os animais precisam estar com os ponteiros da balança no lugar certo. A obesidade dos pets pode causar problemas graves como doenças de pele, ortopédicas, câncer, inflamação crônica e alterações metabólicas.


"As consequências da obesidade são diversas, mas a mais importante é a diminuição da longevidade. Animais vivem menos quando são obesos", alerta Manuela Marques Fischer, professora do curso de Medicina Veterinária da UniRitter, especializada em nutrição animal.


O excesso de gordura costuma estar acompanhado de problemas articulares e de resistência à insulina – que pode resultar em pancreatite.


"Também prejudica a realização de exames de imagem e o acesso venoso. Ou seja, fazer o diagnóstico de outras doenças no animal obeso é mais difícil", completa a professora.


O fator social também acaba prejudicado, pois o animal não consegue brincar, cansa rápido e acaba isolado dos outros pets.


Zara, uma labrador de 10 anos, é um exemplo das consequências do excesso de peso: a coluna tinha vários “bicos de papagaio”, o que desencadeou um problema no nervo óptico, chamado Síndrome de Horner. Além disso, ela não tinha ânimo para nada, e o fôlego era mínimo. Ao procurar um local para a peluda se exercitar, a tutora, Bruna Gross, ficou surpresa. "Como ela estava muito em casa, busquei um local para ela praticar exercícios, não para emagrecer. Quando fizemos a consulta com o fisioterapeuta, ele disse que a Zara estava muito pesada, com 46 quilos", relata.


O peso parecido com o de uma criança na faixa dos 12 anos foi resultado de uma alimentação desregrada, à base de ração e petiscos de dar água na boca: pão de queijo, pipoca e até sorvete de morango. A labrador conseguiu perder cinco quilos frequentando um spa duas vezes por semana, mas o processo estagnou.


"A Zara chegou ao meu consultório com score 9 de composição corporal, o valor mais alto da tabela, mesmo já tendo perdido cinco quilos. Isso mostrou que ela estava obesa. Após um longo tratamento, ela ainda tem um sobrepeso leve", diz Manuela, que prescreveu uma dieta rigorosa com porções restritas de ração e petiscos como legumes no vapor.


Com 16 quilos a menos, a cachorra esbanja fôlego e vai todos os dias para o spa ou caminha na esteira em casa em dias de chuva ou feriados.


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Como escolher a ração


A médica veterinária Gabriella Massia Cabreira aconselha que os tutores invistam em boas rações. Há, inclusive, produtos das chamadas linhas terapêuticas, com características específicas para nutrir adequadamente cães idosos ou que sofrem de obesidade e outros problemas de saúde. Ela recomenda que sejam seguidas as orientações do veterinário e que, via de regra, a porção indicada seja oferecida em etapas para o animal, não somente uma vez ao dia.


"Rotina alimentar é boa para a gente quando quer perder peso. Para os bichos, também vale. Um cão gordinho e ansioso, se comer mais vezes ao dia, vai pedir menos", diz.


Outro ponto que ela destaca é o fato de a obesidade nem sempre estar relacionada unicamente ao tipo de alimentação e à atividade física do animal. Há problemas de saúde, como hipotireoidismo e diabetes, causados por aumento de peso. Por isso, a importância de uma consulta para, antes de adotar uma dieta rigorosa e sem critérios, avaliar o quadro geral de saúde do bicho.


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Manuela reforça que cada faixa etária exige cuidados específicos. Filhotes, por exemplo, precisam de mais calorias, pois estão em fase de desenvolvimento. É necessário bastante gordura, proteína e cálcio. Cães adultos saudáveis não precisam de cuidados muito rigorosos na composição do alimento. Já os idosos devem comer um alimento “melhorado”, com adição de antioxidantes, substâncias para prevenir problemas articulares, redução de fósforo, probióticos, prebióticos e outros nutracêuticos.


"As rações de adultos são muito parecidas no mercado. As dos filhotes são muito importantes porque ele está crescendo, enquanto a dos idosos serão as que ele consumirá por mais tempo na vida", explica Manuela.


Ao escolher a ração, os tutores devem ficar atentos à quantidade de proteínas, gorduras e matéria mineral (resultado da queima dos materiais orgânicos). Ao contrário do que se possa pensar, quanto maior o teor de gordura, melhor a ração, pois o metabolismo lipídico dos peludos é diferente do nosso.


"A gordura é um nutriente extremamente importante para os pets, e a exigência mínima é relativamente alta. O problema é que ela pode levar à obesidade. Níveis de gordura muito baixos em uma ração já são fator de exclusão", diz.


Enquanto gorduras e proteínas devem ser altos, o valor de matéria mineral deve ser baixo. "Quando está em excesso, significa que é proveniente de matéria-prima de baixa qualidade", alerta a veterinária.


Esse valor deve ser de, no máximo, 8%. Cálcio e fósforo, que estão relacionados à matéria mineral, também não podem estar em muita quantidade. Quando consumidos em demasia, os minerais podem provocar cálculos.


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Alimentação natural


Adeptos da alimentação caseira devem, obrigatoriamente, levar o cão para fazer acompanhamento com um médico veterinário, pois ele precisará suplementar determinadas vitaminas. Manuela Marques Fischer lembra que é difícil variar muito um cardápio a ponto de oferecer todos os nutrientes essenciais para os animais. Portanto, a suplementação é obrigatória.


Ao preparar os alimentos, é bom não esquecer do sal – eles precisam de sódio – e fugir dos temperos como cebola e alho, que ingredientes não metabolizados pelos peludos. Petiscos como chocolates e outros doces são proibidos. Substitua os lanchinhos por cenoura baby, abobrinha, chuchu ou frutas como bergamota e banana.


Gabriella chama a atenção para uma fruta muito consumida nesta época do ano e, por vezes, compartilhada com os pets: a uva. Apesar de saborosa e saudável para humanos, ela pode comprometer a função renal de cachorros. Então, nada de dividir os cachos com as mascotes da casa.


Essa interação à mesa também pode ser prejudicial em situações pontuais. Nos almoços em família, quem resiste às carinhas de pidões ao pé da mesa? Pois é, a sobra da refeição pode comprometer a semana dos animais.


"Osso demais endurece as fezes, o que pode provocar obstruções, e traz o risco de intoxicação alimentar. É a consulta clássica de segunda-feira, depois de um domingo de churrasco", comenta Gabriella.


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Com informações do GaúchaZH

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