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Padre leva cachorros de rua à missa para incentivar adoção

Atualizado: Jan 15

O padre João Paulo, da cidade de Gravatá, PE, dá lição de amor levando à missa os cachorrinhos abandonados que encontra nas ruas para que estes sejam adotados pelos fiéis.

Se mais párocos neste país tivessem a consciência e a grandeza do Padre João Paulo, o número de animais abandonados seria menor e, certamente, não haveria tantos crimes praticados contra estes inocentes. Tal atitude, em se tratando da ação de um padre, é algo muito raro de se ver, não só aqui no Brasil, mas em qualquer outra parte do mundo. (Fotos: Padre João Paulo / Facebook / FolhaPE)

Quem frequenta a Paróquia de Santana, em Gravatá, Agreste de Pernambuco, já está acostumado com uma cena inusitada que é difícil de acontecer em outras igrejas. Em meio à celebração das missas é comum que os fiéis se depararem com um grupo de cachorros em volta do padre João Paulo. Acontece que o padre é protetor de animais e incentiva a adoção dos bichos de rua levando-os às missas.


A iniciativa começou há cerca de seis anos, quando o padre chegou à paróquia e foi procurado por protetores que administravam um abrigo para animais de rua. “O pessoal me procurou para vender biscoitos para ajudar o abrigo. Então eu sugeri que eles fossem a uma das missas para vender mais biscoitos”, diz o padre.


O pároco conta que não costumava ter uma preocupação especial com os animais e não se considerava um ativista da causa, mas, a partir do contato com o abrigo, despertou para a necessidade de ajudar. “A gente não pode só cruzar os braços e não olhar por eles”.


Na época, o abrigo tinha mais de 97 animais que precisavam de ajuda. Para impulsionar as adoções, então, o padre resolveu levar os cães para a igreja. “Começamos a organizar algumas feiras de adoção na cidade e, como parte das iniciativas, levamos alguns animais para a igreja. Cerca de um ano depois, tínhamos conseguido um lar para cada um dos 97 cães”, relata.


O padre adotou três cães: Galego, Mel e Esmeralda, que hoje o fazem companhia na casa paroquial. Atualmente, o trabalho não acontece mais em conjunto com o abrigo. No entanto, as ações continuaram acontecendo de forma pontual. A paróquia continua socorrendo cães debilitados, que precisam de um cuidado maior. De acordo com o padre, a recuperação pode durar mais de um ano, a depender da doença. “Quando eles se recuperam, procuramos uma família que possa adotá-los. Então, usamos as redes sociais para tentar achar algum interessado. Se não aparecer, colocamos fotos na igreja. Em casos extremos, levamos os animais para as missas”, explica.


“É um trabalho delicado. Há animais que possuem necessidades especiais e que exigem um cuidado específico. Estes são casos mais difíceis, nos quais precisamos achar pessoas que possam cuidar de fato dos cães mais debilitados. São os animais que ninguém quer pegar”, conta o pároco.


Quando não consegue adoção para os cães, a paróquia abriga bichos nos espaços da igreja, como no salão paroquial e no centro social, que também serve de abrigo para moradores de rua.


Para levar os cães à igreja, o padre enfrentou a resistência dos fiéis mais conservadores. Mas, seis anos depois, ele avalia as atitudes como positivas. “Conseguimos fazer com que a relação das pessoas que frequentam nossa igreja com os animais de rua mudasse. Já enfrentamos resistência, já vieram reclamar, dizer que lugar de cachorro não era na igreja, mas são casos muito raros. Felizmente, a maioria das pessoas aprova nossa iniciativa”, acrescenta.


Além da ajuda aos cães, a paróquia ainda conta com mais de vinte projetos sociais que ajudam desde pessoas com problemas psicológicos, oferecendo acompanhamento profissional, até moradores em situação de rua.


Exemplo de amor e solidariedade


Esta ação altruísta de João Paulo é digna de ser aclamada com louvor por todos nós que amamos os animais, sendo um gesto de grande significância na luta pelo bem-estar destes inocentes. E, por ser um ato de amor e coragem em prol dos animais, representa um exemplo a ser seguido, que já repercutiu nas redes sociais gerando uma grande onda de comentários positivos, com milhares de internautas exaltando a grandiosa ação social do padre.


Em seu discurso, o bondoso padre costuma pedir para que a comunidade se engaje e convide outras pessoas potencialmente interessadas em prover um lar aos animais. Graças às iniciativas do padre, o número de cachorros abandonados nas ruas de Gravatá, que tem 228 mil habitantes, reduziu substancialmente.


Os atos benevolentes do padre João Paulo para ajudar os cães já vêm de longa data. Durante a missa celebrada no dia 28 de agosto de 2016 o pároco recebeu em sua igreja cachorrinhos abandonados que foram resgatados e acolhidos por um abrigo da cidade, com o objetivo de incentivar a adoção daqueles inocentes carentes. Naquele domingo, o padre proferiu um magnífico discurso enfatizando a importância do respeito aos animais e o valor da adoção, mostrando o quanto é importante adotar, e, assim, desestimulando a compra dos animais de estimação. O ato inusitado, de amor e respeito aos animais, pode ser conferido no vídeo abaixo.


Assista ao vídeo / João Paulo dá lição de amor


Em novembro de 2019, o programa Nossos Bichos, da Rádio Nacional, entrevistou o padre do interior de Pernambuco que é protetor de animais e incentiva a adoção dos bichos de rua levando-os às missas. Confira o áudio desta conversa abaixo.

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Com informações do FolhaPE

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