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Como adaptar cães e gatos em uma mesma casa?

Atualizado: 20 de Dez de 2020

É possível sim acostumar um gato em uma casa que já tem cachorro e vice-versa. Mas alguns cuidados devem ser tomados, para o sucesso da operação.

Cachorro e gato podem ser amigos, desde que bem adaptados. (Foto: Thinkstock)

Ter um animal de estimação é uma delícia. Agora imagina ter dois! Pode parecer o dobro de alegria e fofura, mas também pode ser duplicado o estresse e a dificuldade de adaptação. Por isso, é muito importante fazer a introdução adequada para ter harmonia entre cães e gatos.


Apesar dos desenhos animais mostrarem que cães e gatos são inimigos mortais, não é bem por aí. É muito possível acostumar um gato em uma casa que já tem cachorro e vice-versa. Mas alguns cuidados devem ser tomados, para o sucesso da operação.


Principais erros na hora de adaptar cães e gatos


Alguns erros são muito comuns e colocam tudo por água abaixo. Sabe aquela expressão “a primeira impressão é a que fica”? É mais ou menos assim com cães e gatos. Assim, o cuidado já começa em como eles serão apresentados. Veja os principais erros:



  1. Colocar o gato na caixa de transporte e soltar o cachorro para cheirá-lo. Quando o gato está fechado em um lugar, sem possibilidade de escape, confinado em uma caixa, com uma “ameaça” tão perto, ele fica morrendo de medo. E a primeira impressão pode fazer com que nunca mais esse gato queira se aproximar do cão.

  2. Soltar o gato pela casa e prender o cão na coleira, permitindo que ele cheire o felino. O cachorro é um ser ligeiramente afobado (eufemismo). A coleira, normalmente, está associada a passeio. Imagina esse cachorro afoito, ansioso para passear, encontrando o ser diferente. Ele vai querer brincar, cheirar e interagir de uma forma muito agitada. Coisa que os gatos ODEIAM. Isso só irá assustar o gato, que definitivamente não irá aceitar o cão.

  3. Soltar cachorro e gato em um cômodo e esperar que sejam amigos. Esse é um dos erros mais comuns: achar que eles vão dar um jeito e se aceitar em algum momento. Tudo vai depender da personalidade de ambos.

  4. Não tratar problemas de comportamento individuais, antes da chegada do outro animal. Se você tem um cachorro que destrói as coisas em casa ou se lambe muito ou ainda pula nas pessoas, é bem provável que ele precise de um acompanhamento de um profissional do comportamento. O ideal é que o cão esteja bastante estável emocionalmente para receber o gato. Da mesma forma, não adianta eu ter um gato super arisco e querer já colocar um cachorro em casa. É preciso trabalhar o medo do gato antes da chegada do cão. Do contrário, esse gato poderá ficar cada dia mais medroso.

  5. Não preparar a casa para receber o novo animal e facilitar a convivência entre ambos. Normalmente, nós, brasileiros, vamos tomando as decisões como dá, muitas vezes por impulso, sem programação. Mas é de extrema importância que o ambiente, que vai receber ambos os animais, esteja preparado para isso.


Como preparar a casa para ter cão e gato juntos


Um passo essencial para ter três espécies tão diferentes na mesma casa (cão, gato e humano) é separar um cantinho para cada um. Não precisa ser um cômodo para cada um, mas sim um canto de um cômodo em comum.


Em uma sala, por exemplo, é possível colocar prateleiras e arranhadores para que o gato exerça seus comportamentos naturais de ficar elevado, observando o ambiente e liberando seu cheiro nos arranhadores. Tudo isso bem longe de cão, caso ele não queira ter contato.


Para o cachorro, podemos colocar brinquedos de roer no chão e uma caminha bem confortável. Assim, ele ficará mais calmo e não assustará o gato com o seu excesso de empolgação. Para o humano, pode ter um sofá. Assim, ficará um espaço neutro, caso um dos dois, ou mesmo os dois, queiram se aninhar.


O importante é sempre pensar nos comportamentos naturais de casa espécie. O gato sempre vai preferir ficar em locais elevados, para ter a opção de não ter contato com o cão, mas observá-lo de cima. Já o cachorro precisa de atividades com foco e que gastem energia, como um mordedor ou um dispositivo recheado de comida.


Quando olhamos pela visão de cada espécie, fica mais fácil de compreender as alegrias e dificuldades dentro de um processo de adaptação.


Não esqueça de deixar a caixa de areia em local elevado, para o cão não ser atraído pelas fezes. O mesmo com a ração do gato. Ela é muito atrativa para o cachorro, mas ele não pode comer.


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Associação positiva entre cães e gatos


Por eles terem comportamentos naturais muito diferentes, cães e gatos podem se assustar com a reação um do outro. Por isso, é muito importante ensinar que eles podem conviver no mesmo ambiente de uma forma pacífica e controlada.


O primeiro passo é estabelecer limites de espaço para cada espécie. Sugiro colocar o gato no alto e o cão no chão. Oferecer uma comida gostosa para os dois juntos é uma ótima pedida. Aproveite o momento do sachê do gato e coloque os dois no mesmo ambiente, mas sem que um tenha acesso ao outro.


Em um segundo momento, brinque com os dois ao mesmo tempo. Varinha com pena ou mesmo uma fita de presente pode se tornar a melhor brincadeira para o gato. Enquanto isso, ofereça algo para o cão ficar focado. Pode ser algo para ele morder e destruir. Evite nessa hora agitar muito o cão, como brincadeira de bolinha. Isso poderá assustar o gato. Dê preferência por coisas mais calmas.


O mais importante é não forçar a interação entre eles, mesmo durante a brincadeira. Se, por acaso, um não tiver mais interesse pela brincadeira, o ideal é separá-los.


Aliás, o mais indicado é manter cães e gatos separados enquanto aconteça a adaptação. Aos poucos, a medida que eles forem relaxando na presença do outro, você pode aumentar o tempo que eles ficam soltos. Mas nada de ansiedade! Pular etapas pode colocar todo processo a perder.


É muito importante se colocar no lugar do outro para compreender como ele está se sentindo e o motivo da sua reação a um dado estímulo ou situação. Não minimize a angústia do animal. Programe tudo o que será feito para o treinamento e aproximação dos peludos. Pensar no bem-estar de todos é peça fundamental!


Por Luiza Cervenka de Assis


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