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Ampara Animal: abandono de cães e gatos dispara 70% na pandemia

Levantamento realizado pela Ampara Animal em cerca de 530 abrigos e protetores independentes, aponta que o abandono de animais aumentou cerca de 70% no ano passado, após onda de adoções. Cães de pelo curto e preto, sem raça definida, são os mais relegados.

Na pandemia, adoções realizadas por impulso e o acirramento da crise econômica fazem disparar casos de animais abandonados e outras formas crueldade. (Foto: Marlene Bergamo / Folhapress)

Não se sabe ao certo quanto tempo a mãe passou amarrada com seus cinco filhotes dentro de uma caixa de papelão numa madrugada chuvosa. Fato é que um deles teve um ferimento grave na região genital. O laudo veterinário constatou que o filhote não terá condições de se reproduzir na fase adulta. Terá de conviver com uma sonda para poder urinar.


Esse é apenas um exemplo perverso da situação de abandono de animais domésticos Brasil afora. Diante do quadro de acirramento da crise desencadeada pela Covid-19, o descaso com os bichos não para de aumentar em um momento de interesses e demandas humanas tão em alta.


“Nunca vi uma situação desoladora como agora”, conta Daura Carvalho Pereira, 49 anos, 18 deles na defesa animal. “Não passa um dia sem aparecer animal abandonado.”


O número de cães e gatos, entre outros bichos, resgatados no Brasil aumentou cerca de 70% no ano passado, segundo um levantamento feito pela Ampara Animal em ao menos 530 abrigos e protetores independentes por todo o país. A AMPARA Animal é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) sediada em São Paulo - SP, formada e mantida por um grupo de mulheres com objetivo de ajudar instituições e protetores independentes que prestam assistência a cães e gatos rejeitados e abandonados.


A cadela e os cinco filhotes mencionados no começo deste texto estão sob proteção de Daura e de sua família, no abrigo Toca dos Peludos, na zona rural de Mairiporã (SP). No espaço, cuja trajetória de acolher animais desamparados atingiu neste mês o seu ápice, vivem hoje 328 cães, 25 gatos, 19 cabras e 50 galinhas. Há ainda cinco jumentos, dois cavalos e duas tartarugas. Todos eles são tratados pelo nome, com exceção dos galináceos, devido à aparência semelhante, o que dificulta individualizá-los na hora do trato.


Para manter toda essa estrutura de acolhimento, são necessários R$ 45 mil por mês. Só de ração, os animais consomem 3,5 toneladas em 30 dias. A crise desencadeada pela atual pandemia teve um impacto devastador sobre as doações, que recuaram quase 80%, nos cálculos de Daura.


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A protetora lembra que, durante o auge da pandemia, entre abril e julho passados, ao presenciar uma verdadeira explosão de adoções de cães e gatos dos abrigos, teve um rompante de esperança. “As pessoas estavam carentes. Queriam um bichinho de companhia. Era o momento em que muita gente estava indo trabalhar em casa”, comenta.


Aos poucos, esse cenário foi se alterando. O desemprego, o fim do auxílio emergencial, a necessidade de muita gente ter de sair para trabalhar e outros que se mudaram para a casa dos pais não só cessaram as novas adoções como pavimentaram um caminho inverso, o do abandono.


Daura se recorda de um cão SRD (sem raça definida) de apenas três meses, largado, no fim de janeiro, às margens da rodovia Fernão Dias. Desnutrido, o filhote tinha queimaduras que iam de um pouco abaixo da cabeça até a altura das pernas dianteiras. As marcas sugerem que alguém tenha jogado água fervente nele. Foi salvo e se recupera.


“Também é muito comum ver essas ‘caminhonetonas’ pararem no acostamento, o motorista soltar o animal –que estava alegre, pensando que era um passeio–, virar as costas e abandonar o bicho”, diz ela.


Todos os mamíferos levados ao abrigo Toca dos Peludos são castrados, vacinados e vermifugados. Há ainda o compromisso de tentar disponibilizar parte desses animais para doação. “Vira-lata, adulto, de porte médio, pelagem curta e preta, esses ninguém quer adotar”, lamenta Daura, com a experiência de quem ainda participa e promove feiras de adoção de cães e gatos carentes.


Esse é o perfil dos excluídos, que sobrecarregam ainda mais os abrigos, na avaliação de Rosangela Gebara, gerente de projetos da Ampara Animal. “Esses cães, infelizmente, esperam há anos, sem a chance de ter o carinho e o amor de uma família só por causa de suas características físicas”, explica.


Filha de Daura, a também cuidadora Natália Pelegrin, 26, conta que as pessoas costumam se encantar com os filhotes. “Quando crescem e não ficam tão bonitinhos como esperavam, eles os abandonam.”


Se não fosse pelo preconceito, mãe e filha acreditam que apenas dez cães do abrigo não teriam chances de adoção. Alguns deles têm idade avançada, outros sofrem de doenças crônicas, que exigem acompanhamento constante. Há também animais paraplégicos e cegos que moram na Toca dos Peludos.


Ligada à Prefeitura, a COSAP (Coordenadoria de Saúde e Proteção ao Animal Doméstico) informa que investe na promoção da guarda responsável por meio de programas educativos com o intuito de reduzir a população de animais nas ruas da cidade de São Paulo. O projeto Escola Amiga dos Animais, por exemplo, tem como objetivo conscientizar crianças. A prefeitura disponibiliza ainda castração gratuita de cães e gatos tutelados por moradores tanto em clínicas contratadas quando em mutirões, agora suspensos por causa da pandemia, além de 'castramóveis', que atuam em áreas de vulnerabilidade social.


Moradora de casa alugada na zona Norte da capital paulista, a vendedora Maria Reginelda Roque de Sousa, 54, há 16 anos se dedica a cuidar de animais desamparados, vítimas de maus-tratos. Neste momento, ela acolhe 46 bichinhos. “Uma amiga me ajuda com ração. Vendo uma coisa aqui, outra ali, mas sou independente, não sou uma ONG”, diz ela. “Aqui está faltando tudo: ração, remédio, pratinho para alimentação, coleiras.”


Nesses tempos dedicados aos bichos, ela jamais havia presenciado uma situação como a de hoje. “Não tenho mais espaço nem condições para receber os animais. Preciso que as pessoas adotem para que eu possa acolher outros.”


Maria diz ser criticada e incompreendida por vizinhos pelo fato de abrigar os animais. “Estou esgotada.” Ela planeja mudar-se com aqueles que não conseguem ser adotados para Juazeiro do Norte, terra dos pais, no Ceará. Lá, espera criar o seu próprio abrigo numa área rural.


“São Paulo é grande demais. Assim como é grande em demasia o descaso com os bichos.” Talvez, quem sabe, eles encontrem amor e espaço no interior do Brasil. É o que espera Maria. “Posso desistir da humanidade. Deles, jamais!”



Venha ajudar a APIPA! Falta RAÇÃO e demais itens básicos para manutenção do abrigo


Solidarize-se com os animais da APIPA


Solidarize-se com os cães e gatos carentes assistidos pela APIPA. O nosso centro de acolhimento está sempre superlotado, operando com o dobro de sua capacidade, sendo necessário que se faça coletas diárias de doações de ração, material de limpeza, medicamentos veterinários e jornais. Um dia de consumo de ração no abrigo equivale a 25 kg para os cães adultos e entre 12 e 15 kg para os gatos, sem contar os filhotes. Para fazer a higienização do abrigo, usamos diariamente 5 litros de desinfetante e 5 litros de detergente, além de muito saco de lixo, esponjas, vassouras e rodos. O amigo interessado em ajudar pode entregar os donativos diretamente na sede da Entidade, ou ainda, se preferir, fazer as doações em dinheiro por meio de depósitos bancários (contas abaixo).


Animais com necessidades especiais precisam de ajuda na APIPA (Facebook)


A protetora Isabel Moura, que é uma das fundadoras e membro da atual diretoria executiva da APIPA (Associação Piauiense de Proteção e Amor aos Animais), fala um pouco sobre a importância da adoção de animais carentes e o trabalho que a Entidade desenvolve na reabilitação de cães e gatos resgatados em situação de maus-tratos e abandono (vídeo).



Devido à pandemia, as visitas ao abrigo da APIPA sofreram algumas restrições, sendo agora necessário que o visitante faça prévio agendamento por meio do Instagram.


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Como ajudar a APIPA


Existem diversas formas com as quais o amigo pode participar para contribuir com o trabalho assistencial da APIPA. Um modo bem simples e rápido de ajudar é fazer as doações em dinheiro por meio de transferência/depósito bancário (contas abaixo). O amigo também pode fazer doações (online) por meio do PagSeguro. Lembrando que a nossa associação sobrevive unicamente de doações. Não deixe de oferecer a sua solidariedade em prol do bem-estar dos nossos bichinhos carentes. Ajude-nos!


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CONTAS BANCÁRIAS DA APIPA (doações)


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Com informações do Folha de S.paulo

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