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Alerta do CFMV: pets não precisam de máscaras ou testes para Covid-19

Para evitar que tutores de animais gastem dinheiro com medidas que não têm eficiência comprovada, o CFMV emitiu um comunicado informando que os pets não precisam da aplicação de testes laboratoriais ou do uso de máscaras. A instituição alerta que tais iniciativas alarmam e tentam obter vantagens (lucro indevido) de tutores, podendo ainda resultar em mais abandonos de animais.

Autoridades veterinárias do Brasil e do mundo negam possibilidade de infecção de pets pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), causador da doença Covid-19 em humanos. (Imagem: EBC / ktsimage / Envato)

Com o avanço do coronavírus no Brasil, cresceu também a preocupação de que animais de estimação pudessem contrair a Covid-19, mas as autoridades veterinárias garantem que não há motivo para desespero.


Pesquisadores brasileiros publicaram um artigo afirmando que ainda não há evidências de que gatos possam contrair a doença e o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) determinou que não há necessidade de fazer testes ou usar máscaras em nenhum animal.


Um estudo publicado por uma faculdade chinesa na última semana dava conta de que gatos estariam suscetíveis a contrair o vírus e transmiti-lo a outros animais. A notícia se espalhou e, em pouco tempo, laboratórios começaram a oferecer testes e equipamentos de proteção para os pets.


Paulo Eduardo Brandão, especialista em estudo de vírus e pesquisador do Laboratório de Zoonoses Virais da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, contesta o resultado dos estudos e garante que as evidências são fracas. “Nem ao menos foi identificada lesão tecidual ou material genético de SARS-CoV-2 nos pulmões, fato que é bastante intrigante, já que o vírus causa lesões graves em tecido pulmonar de humanos”, explica.



Diversos problemas


O artigo de Brandão foi feito em parceria com a professora Aline Santana da Hora, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia, e, além dos resultados curiosos, aponta vários outros problemas.


Segundo os pesquisadores, há diversas falhas na metodologia, o número de gatos testados não é suficiente para chegar a uma conclusão, não há documentos prévios que comprovem a eficiência do estudo, falta revisão do artigo por outros profissionais da área, que é um critério obrigatório para publicação oficial, e há precipitação nas conclusões, de forma que continua não sendo possível confirmar a presença da doença nos animais.


Ao Jornal da USP, Brandão explicou que divulgar esse tipo de conclusão imprecisa acarreta em diversos problemas para os tutores e para os animais, entre elas o abandono dos bichinhos e o aumento de outras doenças. “Já estava acontecendo com cães, por suspeita de que fossem hospedeiros. Se começarem a abandonar cães e gatos nas ruas, a população deles vai aumentar e podem voltar também algumas zoonoses, como a raiva”, explica.



Infração ética


Para evitar que os tutores dos animais se arrisquem e acabem gastando dinheiro com medidas que não têm eficiência comprovada, o CFMV emitiu um comunicado (confira na íntegra abaixo) informando que não recomenda a aplicação de testes laboratoriais ou o uso de máscaras em quaisquer animais de estimação: “Trata-se de iniciativas que alarmam e tentam obter vantagens (lucro indevido) de tutores de cães, gatos e outros animais”.


O órgão ainda explicou que não existe nenhuma indicação da OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) e nem de órgãos oficiais brasileiros para que animais domésticos sejam testados para o vírus, já que não são transmissores da Covid-19. A venda de testes e máscaras para pets pode constituir infração ética, passível de punição.



Íntegra do comunicado do CFMV (03 de abril)

 

Chegou ao conhecimento do Sistema Conselho Federal e Regionais de Medicina Veterinária (Sistema CFMV/CRMVs) a divulgação da venda de testes laboratoriais e máscaras protetoras para pets. Trata-se, no entanto, de iniciativas que alarmam e tentam obter vantagens de tutores de cães, gatos e outros animais de estimação. Não existe nenhuma indicação da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e outros órgãos oficiais no Brasil e no mundo para que os animais domésticos sejam testados para o novo coronavírus (SARS-CoV-2), pois não são transmissores da Covid-19. “Divulgar informações sobre assuntos profissionais de forma sensacionalista, promocional, de conteúdo inverídico ou sem comprovação científica fere o artigo 8º, inciso VIII do Código de Ética do Médico-Veterinário. Pedimos a quem tiver acesso a esse tipo de propaganda que denuncie ao conselho regional do estabelecimento ou profissional que fizer esse tipo de propaganda”, adverte o médico-veterinário Wanderson Ferreira, tesoureiro do CFMV. O CRMV-MG emitiu nota oficial e a Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais (Anclivepa Brasil) também publicou um alerta a associados e à população em geral sinalizando a preocupação de que, em um momento em que a população se encontra fragilizada pelas medidas de mitigação da pandemia, se aumente o risco de abandono de animais e dos riscos à saúde pública no país. O CFMV reforça o alerta à população em geral e aos profissionais: além de não recomendadas, a venda de testes para o novo coronavírus e máscaras para pets podem constituir infração ética, passível de punição.

 


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Com informações do BHAZ

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